Feeds:
Posts
Comentários

Agora que o Tal ia finalmente se reunir de volta, pós viagem portenha, pós o primeiro TCC do grupo, uma fugiu para Porto Alegre! Sem problemas, o grupo, mesmo com uma integrante distante, continua planejando, aguardem novidades! Por enquanto, é ela quem manda notícias para o blog. Diretamente de POA, uma crítica da peça Dolor Exquisito do diretor Wehbi, 18º Porto Alegre em Cena.

Sobre um certo texto num certo teatro

Karine Cupertino

O textocentrismo no teatro acabou já faz um tempo. Ou melhor, não acabou, mas descobriram novas formas de fazer teatro que não fosse só partindo do texto. Sim, há muitas peças por aí ainda presas na época do textocentrismo. E não só peças, espectadores. É aquele que vai para o teatro para ver o desenvolver da história, esperando um grand finale. Esse daí esquece que além do texto, tem a entonação, por exemplo. Mas tem muito mais: cenário, luz, figurino, sonoplastia… Por isso quando a gente vai assistir a uma peça a gente deve abrir todos os sentidos e sacar logo o quê o diretor quis dizer a partir de todas as informações dadas. Ok, talvez a gente nunca saiba o que o diretor quer dizer, mas devemos nos dar ao trabalho de juntar as pecinhas e descobrir alguma coisa que esteja além do que é fácil de absorver. Questionar porque começou com essa luz que não tinha muita razão de ser. Ou porque esse texto tão denso, num cenário tão leve? O espectador esperto é detetive. É bem capaz que ele nunca chegue ao assassino, mas ele deve buscar suspeitos.
Essa história toda é para falar da peça Dolor Exquisito, de direção de Emilio Garcia Wehbi e atuação de Maricel Alvarez, parte da programação do 18º Porto Alegre em Cena. O mote da peça é muito simples: uma história de amor. Baseada no livro da artista contemporânea Sophie Calle, narra um romance biográfico mal (ou bem – tudo é ponto de vista) sucedido. A partir de fotos no Japão da própria atriz, sendo fiel ao livro, que também tem sua história passada no Japão, parece que Wehbi quis manter sua dose de problemática com ficção e realidade. Mas não é isso que me chamou atenção.
Li algumas críticas e ouvi alguns comentários depois da peça falando especificamente sobre o texto, dizendo que tocou ou não tocou. Li um pronunciamento do próprio Wehbi, que falava algo como “é, história de amor é universal, todos já passaram por uma, então fica fácil de se identificar”. Conheço muito pouco do trabalho do diretor, mas a partir do ditado “diga-me com quem andas e eu te direi quem és”, já fui para a peça desconfiada da generosidade em sustentar um público preguiçoso.
Num cenário branco-acrílico, com um telão em destaque onde fotos da atriz no Japão são passadas (dando uma ideia de reality show) somando com o microfone que ela usa a todo momento para falar, temos um quê de espetáculo, de show. A luz vai ficando baixa e ela canta. Chora nos momentos certos. Certos demais para caras como Wehbi. Em todo esse clima de espetáculo não é possível que uma história de amor na peça faça o espectador pensar que ele assistiu somente a uma história de amor.
O diretor é mais engenhoso do que eu pensava. Ele não só não ajuda os preguiçosos como os faz passar por bobos. Há uma sedução enorme por parte da atriz: pausas certas, choro preciso, um leve toque de humor. Quem cai nessa, só pensa na história romântica, que é tão simples que acho que, pelo menos, metade da plateia teria uma mais emocionante. No entanto, se olharmos atentamente talvez podemos ver uma mulher vendendo sua história de amor. Ela seduz e tem todas as armas para chamar sua atenção, pois além de suas características já citadas, podemos apreciar também fotos da atriz deitada de calcinha. Ou então quem não acha interessante ver Maricel Alvarez pegando uma das suas compras do Japão e te mostrando ali, na sua frente (e talvez nem sejam compradas lá mesmo)? Há um poder mágico nas coisas reais quando postas no palco. Um bilhetinho que você passou para sua amiguinha de classe na quarta série, mostrado, amassado mesmo, no palco, dá gosto de ver. Sei lá exatamente como se explica tal fato, mas seduz. E ela também canta. Numa luz bem pensada para você só focar na atriz, que canta de olhos fechados para te enganar que canta com o coração. Mentira. Ela canta com técnica de atriz. Canta como quem sabe manipular uma plateia.
Há também a parte das projeções, onde gravações mostram pessoas contando relatos aparentemente reais sobre seu mau sucesso no amor. Essas gravações, soltas no meio do espetáculo só nos mostra quão banal é uma história específica. Sim, como se não bastasse Wehbi “desfigurar” uma história de amor, ele usa outras, explicitando que qualquer história de amor, é uma história de amor – e pode ser vendida.
Qualquer peça pode e deve ser analisada além do seu texto. Meu suspeito final é que Wehbi quis dizer que até uma história de amor, que poderia ser sensível e dolorida, é uma história para vender, como a maioria das coisas, emoções, oportunidades hoje em dia. Vende tanto que muitos acham que a peça era só uma história de amor.

Dê um jeito

Quem faltou, quem não conseguiu entrar, faça por onde para ver Dê um Jeito nessa Casa no dia 19 de outubro, às 19h, no Espaço I.

A apresentação faz parte da programação da Semana Integrada da UDESC, que inicia na data da apresentação e termina dia 22. Esperamos vocês.

A Semana Ousada foi ótima! Que equipe maravilhosa que a Cláudia Messores conseguiu fazer! Nós agradeçemos, de coração, toda a atenção que nos foi dada.

Na estréia, ficamos um pouco tristes porque o espaço era pequeno para a quantidade de gente esperando do lado de fora. Foi muito legal ter o retorno das pessoas! E tivemos um retorno cuidadosamente elaborado:

…A afinidade afetiva existente entre as três é de fato tão evidente que, diferentemente da maioria das peças que vejo, o silêncio nunca é constrangedor, mas compõe a própria espera para que a graça, já prevista nele, apareça naturalmente com a simples emissão de um “Merda!”, um jeito de olhar o imaginário olho mágico ou um momento e um jeito de comer banana.

(…)

Mas fica aqui um aceno para a promessa de uma obra que evita tanto bajular o público com a graça fácil, quanto apenas o constranger com um ativismo vazio e uma agressividade autista.

Isso é só um trecho. O Diogo foi super generoso e escreveu muitas linhas além dessas que você pode conferir no blog dele.

E para o pessoal que ficou do lado de fora e para aqueles que ficaram curiosos, teremos apresentações ainda esse mês!

A que horas?

O dia inteiro tem ações artísticas acontecendo. Confiram a programação da Mostra de Receitas Cometíveis:

Café da manhã: El Bigodón (10h – CCE/UFSC)

Almoço: Conversa com café (12h30 – largo da alfândega), A Princesa quer Casar (13h – CEART/ UDESC), Invasão (13h15 – Largo da Alfândega)

Café da tarde: Não autorizado (15h – arena/ UDESC), Bolonha (16h20 – Bosque/UFSC), Conversa com café (16h30 – UFSC), Agrade-me (17h15 – CCE/UFSC)

Janta: Oficina de bolha de sabão (18h até 21h – marcenaria/UDESC), Oficina de light paiting (18h até 21h – marcenaria/UDESC), Destina-se (23h – festa da UFSC

Pratos do dia: Sugerindo (internet), Mulheres (UDESC), Troco sonhos (CEART/UDESC), Cantinho do ócio (UDESC), Transfiguração (hall do bloco amarelo/CEART)

Estréia!

Chega de ensaio aberto, chega de ficar ensaiando! No dia 23 de setembro, o Tal grupo convida a todos para entrar e ficar à vontade.  A peça Dê um Jeito nessa Casa, com a (novidade de ) rotatividade das personagens, faz com que as atrizes criem seu malabarismo de acordo com o papel que o público escolher.

Também de novidade,  contamos com a ajuda da Ana Clara na direção de arte que deu todo um toque plástico onde só havia teatro. Ficou lindão!

A gente não pode se esquecer de algumas pessoas lindas que contribuiram  para o trabalho: Ana Paula Beling (que nos deu voz, tantas vezes!), Morgana Martins (sempre, sempre chegando junto e que nos deua Joana), Stephan (que foi o padrinho da peça e continua sendo), Rosana (que está sem tapete no seu banheiro), Eloah (que nos emprestou seu vídeo-performance) e a todos os professores que nos confiaram a chave da sala.  Será que tem mais alguém?

Apareçam! É no Espaço I (UDESC-CEART) às 20h do dia 24 de setembro!

E… voltamos!

Passamos muito tempo na sala de ensaio. MUITO! Esquecemos o que é apresentar, esquecemos o que é o blog… Mas tudo bem! Porque agora temos muito o que repartir com vocês!

Nesse mês, o Tal grupo dá a cara duas vezes: estreiaremos Dê um jeito nessa casa no dia 24 e organizaremos a Mostra de Receitas Cometíveis, dia 23.  Estamos sedentos por público, por troca, por debate!

Esses dois trabalhos estão inseridos dentro da  terceira Semana Ousada, um evento de parceria UFSC/UDESC. Há muito trabalho rolando. Confira a programação!

Bandeira Branca

-  uma análise do espetáculo Ação #02 / Sim > ações integradas de consentimento para ocupação e resistência/ Platéia teste de uma espectadora leiga.

Karine de Oliveira Cupertino

A primeira vez que assisti Cena 11 foi no CIC, Pequenas frestas de ficção sobre realidade insistente.

Abre parênteses: eu não consigo entrar no além quando vejo um espetáculo de dança. Fico mais racional do que costumo ser e observo se o movimento parte de tal músculo ou a razão daquele movimento em tal cena. A dança nunca me levou além do racional, nunca me trouxe aquilo de entrar dentro da gente mesmo, buscando os fantasmas, brigando com nosso ego, tirando a gente do nosso centro. Coisa que com peças de teatro rola mais.

Fecha parênteses: eu não gostei da primeira peça que vi. Senti sono, vontade de ir embora, tristeza de não ter gastado aqueles vinte reais em cerveja, pensamento em qualquer outra apresentação que poderia ter ido.

Isso foi em 21 de setembro de 2008. Naquela época, devo confessar, a dança me era muito mais chata do que é hoje. Isso porque não luto mais para não ser racional. Vou sabendo que vou ser aquela chata de galochas que não se envolve com o que está no palco.

Resolvi ver Cena 11 de novo. É que tinha ouvido que a proposta era que o público fosse de lá pra cá, fizesse escolhas e participasse do espetáculo. Pensei que isso era teatro também.

Saí do espetáculo aliviada: eles não ficaram brincando de cair a todo momento. E sentir sono em pé seria desagradável. As poucas quedas eram preparadas com uns tremores internos que me fizeram trazer aquelas perguntas “qual músculo? De onde vem isso?”.

Confesso que teve uma hora que desanimei. Sentei no chão mesmo, já me preparando para sentir sono. Enquanto isso, tinha uma pulando pelo espaço com um peso duas vezes mais do que ela tinha. Acho que ela me reconheceu do espetáculo do CIC. Ou reconheceu que ela tinha que fazer alguma coisa para eu me manter interessada. Porque ela veio caminhando de longe naquelas passadas largas de gazela e deu um pulo bem na minha frente que, mesmo eu sabendo que não me machucaria, meu corpo acordou.

Mas eu estou pulando o começo, que é uma das partes mais legais. Aquele cordão de gente com o fio de microfone na mão pra cima e pra baixo, acompanhando as batidas de pé no chão, “Tum, Tum” fazia o microfone junto com o pé, num “Tum, Tum” que seria mais correto todo em caps lock. Foi super divertido perceber que aquela imagem estava me trazendo outras: uma cavalaria, os orcs no senhor dos anéis quando a galerinha do bem estava trancada em sei lá onde. Eu ainda controlava as imagens. Exercia um poder de seleção entre as que eu queria que ficasse. Mas foi uma experiência nova pra mim: conseguia ir além do que eu via num espetáculo de dança.

De dança? Vai ver que não era de dança.

O microfone foi o maior capricho inteligente do espetáculo. Ele servia de extensão do movimento, fazendo sua própria reverberação da ação. Ele completava o corpo no que ele não podia dar. Eu sabia que ia ser legal toda vez que via o fiozinho preto deslizando no chão.

O capricho da voz eu não gostei. Falaram, não digo quem, que Cena 11 está descobrindo agora que tem voz, e isso leva um tempo para ser orgânico no trabalho que eles propõem. Mas quem falou isso achou que eles fizeram um ponto positivo na parte dos gritos. Nem isso eu concordo. A voz não era extensão do corpo.

E sobre aquela tinta vermelha… Sabe Você não me ensinou a te esquecer? Aquela do grande Caetano. Eu amo Caetano. Mais que Chico. Por um pouquinho a mais. Mas tenho plena certeza de que se essa música fosse lançada pelo Wando, seria bem mais brega do que já é. Eu comparo a parte da tinta com esse fato da música.

A tinta foi Você não me ensinou a te esquecer. Mas a purpurina logo em seguida fez tudo virar Caetano. Daí achei, temporariamente, o brega, genial.

Será que estou contando demais?

Vou fazer uma última observação, sobre o “platéia teste”. Outra pessoa ficou me falando como eles são ultrapassados em comparação com La Fura Dels Baus, “porque esses sim desafiavam a platéia. Eles faziam coisas que se você não saísse do caminho você levava!”. Eu acho que uma parte que aconteceu isso, num giro a dois, com uma estátua que estava num lugar desde o começo do espetáculo (ele estava testando o conceito de resistência na sua máxima estática). Levou uns tapinhas na cabeça.

Agora, ultrapassado? Acho tão difícil colocar as coisas em escala evolutiva. Mas eu faço isso: Zé Celso, pra mim, é passado. Nelson Rodrigues também não choca mais. Será que ser a frente do nosso tempo é ser agressivo? É ser sexual? Eu acho que é quebrar expectativas. Eu cheguei lá com medo, naquele caixa preta com um monte de gente pós-moderna-performática-anti-dramática. Pensei que eles iam me expulsar de onde eu estava, me torturar, me eletrocutar com o fio do microfone encapado. Mas não. Não era uma grande luta. Eram ações simples que testavam se eu saía ou não do lugar no momento do choque. Não era pra acontecer guerra, mas aquele primeiro momento, sabe? Aquilo que se dá antes de você terminar de falar clí….max. E, às vezes, eles alongavam esses três pontinhos que separam as sílabas.

Cena 11 me surpreendeu. Aconteceria no Pequenas frestas se eles dessem duas quedas no começo e quando fossem fazer a terceira, voassem. Mais uma e daí o cavalo caísse. Mais nenhuma queda e vão inventar coisas novas. Para uma espectadora, vocês conseguiram.

Como foi a preparação, o que rolou, quem participou. O resultado da Semana agora em fotos. E mais fotos.

Agradecimento

A gente já havia agradecido no post passado. No entanto, enquanto nosso

Jorge Luiz em sua performance "Gira, gira, brilha, brilha".

novo projeto está em processo de montagem, gostaríamos de fortalecer o agradecimento aos que visitam nossa página.  O primeiro evento do Tal Grupo, que foi a 9a Semana Extra Cotidiana, foi um bom ponto de partida.

Tínhamos muitas ideias, e nem todas conseguimos tirar do papel. Mas é certo que a experiência de organizar a tradicional Semana Extra-Cotidiana foi enriquecedora. Afinal de contas, o projeto tem a proposta de abrir espaço para que qualquer pessoa possa fazer sua ação.

Estamos negociando trazer a décima Semana Extra-Cotidiana para Santa Catarina. Se conseguirmos, daremos a notícia em primeira mão aqui neste blog.

Enquanto isso, o grupo está ensaiando para estrear “Dê um jeito nessa casa”. Vários ajustes foram feitos desde o ensaio aberto, que ocorreu no final de 2009. Quando tivermos a data, também divulgaremos aqui.

Até breve!

Ações sendo divulgadas no famigerado mural de chão!

Foi com muito glamour e com muita alegria que inauguramos a 1ª semana extra-cotidiana no Brasil. Durante a inauguração, os convidados e presentes puderam tirar fotos com o lustre azul, ter informações sobre a semana, prestigiar o evento e alguns aproveitaram a empolgação e escreveram mais ações no mural.

Também aconteceu, às 15h01, a performance gira,gira, brilha, brilha, do performer Jorge.

Queremos agradecer, de todo coração, a todos os presentes, aos paparazzis, ao Núcleo de Comunicação da UDESC e à Lisa Brito. Todos vocês fizeram essa inaugração acontecer.

Posts mais antigos »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.